sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Programação Neurolinguística - PNL “A diferença que faz a diferença” - Aplicações em Mediação de Conflitos

Parte II - 
Aplicando a PNL à Mediação.

A Comunicação é um enorme guarda-chuva que cobre e afecta tudo o que acontece entre os seres humanos.
Virginia satir

Na mediação é importante que o mediador se coloque num “estado” em que está completamente presente (para os mediados e para a gestão do conflito), está “focado”, é autêntico e congruente na sua comunicação (há concordância entre o seu verbal e o seu não-verbal, entre o seu estado emocional e a forma como dá feedback). O mediador, cuja função é tantas vezes descrita como a de “facilitador da comunicação”, exerce o controlo do processo de comunicação, mas esta apenas existe na interrelação, e é por esta definida. Como dizia Rogers, “qualquer pessoa é uma ilha, no sentido mais concreto do termo; a pessoa só pode construir uma ponte para comunicar com as outras ilhas se primeiramente se dispôs a ser ela mesma e se lhe é permitido ser ela mesma”.

Chomsky afirma que “só 2% da informação contida no padrão de pensamento é perceptível à superfície”. A experiência vivida é diferente da experiência percebida e, por sua vez, da experiência narrada. Os acontecimentos narrados surgem truncados pelos filtros de cada interveniente no conflito/acontecimento, os seus valores, as suas crenças, as suas experiências, o seu conhecimento e contexto, a sua experiência sensorial, o seu estado emocional. A(s) narrativa(s) do que se passou e como aconteceu é naturalmente enviesada.

Importante na construção da narrativa é a estrutura da linguagem. Como “contamos histórias” e as formulamos. Orwell dizia que “se o pensamento corrompe a linguagem, a linguagem também pode corromper o pensamento”. Estabelece-se aqui a importância do metamodelo para trabalhar a linguagem e compreender a estrutura da experiência na narrativa de cada mediado. Neste sentido, o metamodelo de linguagem – metalinguagem da PNL oferece ao mediador um conjunto de técnicas interrogativas, baseadas na comunicação verbal do interlocutor, que permitem uma rápida e melhor compreensão da mensagem, chaves/padrões verbais com os quais se pode iniciar a mudança, a transformação, a motivação, etc ; técnicas e estratégias verbais para aceder à estrutura profunda do sujeito, de modo a identificar a raiz do problema e permitir a sua modificação.

A aplicação do metamodelo em mediação tem, assim, como objectivos: identificar padrões de linguagem, clarificar a informação e compreender melhor o que os mediados dizem; utilizando como metodologia: fazer perguntas sobre o que as pessoas dizem (estrutura de superfície), que conduzem a significados inconscientes ou escondidos (estrutura profunda).

A palavra tem uma forma, um som específico e uma realidade física. Tudo aquilo que possui uma palavra tem um equivalente físico. Todos os pensamentos têm uma acção.
Mewlana Jalalnudi Rami

Ao “fazer perguntas sobre o que as pessoas dizem” o modelo foca-se em três grupos de padrões verbais (In Carrión Lopez, “La Magia de la PNL”)

(1) Generalizações – processos mediante os quais alguns elementos dos modelos com que a pessoa constrói as suas estruturas linguísticas dependem da experiência original e chegam a representar a categoria total. É a capacidade do ser humano de transportar o significado de uma situação para outras situações similares. As generalizações dificultam a criação de novos modelos de visão do mundo, o que impede a criação de novas alternativas e diminui as possibilidades de escolha. São restritivas, pois não admitem excepções e é nestas que podemos encontrar soluções criativas e novas para os problemas.
Exemplos: tudo, ninguém, nada, nenhum; não posso, não devo, tenho de...

(2) Eliminações (ou omissões) – graças a estes filtros, prestamos atenção de forma selectiva a certas dimensões da experiência original, ao mesmo tempo que excluímos outras. É como se apenas prestássemos atenção ao que nos beneficia. Ou seja, apenas percepcionamos aquilo que merece a nossa atenção em determinado momento e contexto, eliminando o que para nós é supérfluo.
Exemplos: “sou incapaz”, “não me respeitam”; “é melhor não dizer nada”, isto é muito mais difícil”, “isso é pior para ti”; “isto encanta-me”, “isso não se pode fazer”, “há que fazer qualquer coisa”...

(3) Distorções – É o processo pelo qual apresentamos uma mudança no modo como vivenciamos as nossas experiências sensoriais, assumindo a “realidade” de uma forma diferente daquela detectada pelos nossos canais sensoriais. Ou, dito de outra forma, tergiversamos a realidade segundo a nossa conveniência.
Exemplos: “O problema bloqueia-me”, “esta vida não tem sentido”, “o medo paralisa-me”; “O som da tua voz irrita-me”,; “sei muito bem o que estás a pensar”, “já sei o que vais dizer”; “não é correcto discutir com os outros”...

As perguntas pretendem desafiar cada um dos padrões/transgressões de linguagem. Ao fazê-lo é possível encontrar a informação perdida no processo de derivação desde a estrutura profunda até à estrutura de superfície. Isto é, podemos recuperar as partes que foram eliminadas desde o pensamento profundo até à sua verbalização. Consequentemente, ao identificar as distorções, omissões ou generalizações que a pessoa introduz como filtros limitadores do seu “mapa” (do seu modelo do mundo), o mediador pode com o seu questionamento alargar esse “modelo do mundo” e permitir a alteração da percepção sobre a experiência vivida. Este tipo de questionamento permite, ainda, que o mediador possibilite aos mediados que estes se apercebam das suas próprias “derivações”, levando-os a ter uma nova compreensão da realidade.

(continua) Publicado em Noticias Mediare de Fevereiro de 2015 Faça o aqui o Download da Noticias Mediare

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

When Stories Clash: Addressing conflict with Narrative Mediation




de Gerald Monk & John Winslade

"When Stories Clash Gerald Monk and John Winslade have written a series of books and articles on narrative conflict resolution. This one is intended to give practitioners an accessible window into the skills of narrative practice. In the stories that people tell about conflict, the relationship narrative is commonly shaped to fit the conflict story. But there are always other relationship stories that can be told."

Quando estive no Porto a 15 de Janeiro com a Mediare na MED`Talks @pop, prometi dar a indicação de alguns livros que para mim são relevantes. Este é um deles. Acompanha-me quase diariamente. Tem-me ajudado a moldar a minha prática e a transformá-la.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Programação Neurolinguística - PNL

A diferença que faz a diferença” - Aplicações em Mediação de Conflitos


Isabel Oliveira



Publicado em Noticias Mediare de Fevereiro de 2015


Parte I - apresentando a PNL

(…) temos mais percepção e somos mais influenciados pelas nossas percepções do que pensamos – por outras palavras, estamos constantemente envolvidos no dar e receber de um tipo de comunicação acerca da qual não sabemos nada, mas que desempenha um papel muito importante na determinação do nosso comportamento.” (Paul Watzlawick, In “A Realidade é real?”)

"A comunicação não é algo que aconteça na realidade, mas a realidade constrói-se na comunicação." (Xavier Guix, In “Nem eu me explico, nem tu me entendes”)


Quem trabalha no campo da resolução de conflitos compreende a necessidade de uma boa preparação antes de entrar para uma sala de mediação e intervir num conflito, exercendo o tão denominado papel de “facilitador da comunicação”. Para poder facilitar a comunicação, o mediador necessita de ser auto-consciente da sua própria forma de comunicar e, como diz Xavier Guix: "Embora para alguns essa coisa de comunicar seja tão simples como respirar, o certo é que se trata de um processo activo e complexo no qual intervêm, para já, processos semânticos, neurológicos, psicológicos, sociais e culturais" (In “Nem eu me explico, nem tu me entendes”). Quando comunicamos utilizamos todos os nossos canais de percepção, quer estejamos na posição de emissor, quer na posição de receptor. Através dos nossos canais de percepção preenchemos o contexto de conteúdos e significados, numa interacção perfeita em que o emissor é ao mesmo tempo receptor e adapta quase de forma automática a sua comunicação à do seu interlocutor, numa tentativa de constante aproximação.

Não é possível não comunicar” assume uma nova dimensão quando aplicamos à linguagem verbal e não-verbal uma nova conceptualização, que se foca nos processos neurológicos e semânticos. A Programação Neurolinguística (PNL) traz novas perspectivas sobre a comunicação intra e interpessoal.

Quando descobri a PNL, por volta de 2009, e fiz os dois níveis de formação (Practitioner e Master) estava ainda um pouco longe da sua introdução e adaptação ao meu trabalho como Mediadora de Conflitos (e formadora). Entendo a PNL, não como uma ciência, mas como um modelo de comunicação que nos permite descobrir como construímos os nossos pensamentos (a nossa experiência subjectiva) e nos ensina a trabalhar sobre eles e sobre os nossos comportamentos, de forma a produzir alterações positivas.

Denominação criada por Richard Bandler (matemático e perito em computação) e John Grinder (linguísta), a Programação Neurolinguística alicerça os seus fundamentos na linguística transformacional, na Gestalt, na ciberbética relacional e na neurofisiologia. Bandler e Grinder inspiraram-se em terapeutas como Fritz Perls, Virginia Satir, Milton Erikson, e em pensadores como Gregory Bateson. Observaram e modelaram as suas técnicas. Observando e estudando como eles sabiam fazer o que faziam e eram bem sucedidos, Bandler e Grinder descobriram que poderiam modelar e reproduzir, de forma padronizada, a sua forma de estar e fazer.

Quando se ouve falar de PNL, são naturais as observações de “maravilhamento” ou de “absoluto cepticismo”. Parece que a PNL se transformou, nas mãos de muitos, numa tecnologia de mercado, com modelos de “x passos” para tudo, desde conseguir sucesso, à excelência, ensinar vendedores a persuadir ou a vender a “banha da cobra”. Não parece ter sido este o ideal inicial da PNL.

Mas, afinal, como descrever o que é a PNL? O que é e para que serve? Podemos dividir o conceito em três segmentos (Definição traduzida de Carrión Lopez em 2010 In “Curso de Practitioner en PNL”, 6.ª Ed, Ediciones Obelisco, Barcelona):

PROGRAMAÇÃO: Termo que se refere aos processos que o nosso sistema sensorial (vista, ouvido, gosto, olfato e tacto ou cinestesia) utiliza para organizar as suas representações e, assim, criar as suas estratégias operativas;
NEURO: porque toda a acção ou conduta é resultado da actividade neurológica;
LINGUÍSTICA: já que essa actividade neurológica e a organização das estratégias operativas são exteriorizadas através da comunicação em geral e da linguagem em particular.

No fundo, a PNL identifica os padrões de pensamento e a forma como apreendemos ou percepcionamos a realidade e como comunicamos sobre ela, tentando perceber quais os processos que utilizamos para pensar, memorizar, narrar e agir nas mais diversas situações da vida, levando-nos ainda a perceber porque é que algumas pessoas são mais eficientes na sua comunicação, e de que forma, identificados os seus padrões, as podemos modelar.
Surge, assim, a análise dos padrões de linguagem, o Meta Modelo (Bandler e Grinder In “The Structure of Magic”), e a sua conexão com a estrutura profunda da experiência, de onde posteriormente surgem as ideias de sistema de representação e as sua submodalidades, estratégias, separação da intenção do comportamento; e técnicas como o reenquadramento, a ancoragem, a dissociação visual/cinestésica, o rapport.